Reflexões Bíblicas
Mensagens ministradas no Programa Tempo de Festa
Rádio Popular FM e Rádio Água Viva On-Line

Os Estranhos e os Familiares


Aquela mulher estava muito apressada. Ia quase correndo pela rua e de repente trombou com um estranho: "Oh, me desculpe por favor", falou imediatamente.

E o estranho logo disse: "Ah, desculpe-me também, eu simplesmente não a vi!"

Ambos foram muito educados um com o outro, a mulher e o estranho. Então, se despediram e cada um foi para o seu lado.

Mais tarde, naquele mesmo dia, a mulher estava fazendo o jantar e seu filho parou ao seu lado tão silencioso que ela nem o percebeu. E quando se virou para pegar algo, levou um susto e deu a maior bronca no menino: "Saia do meu caminho, filho! Não tem o que fazer para ficar aí parado?" Ela disse aquilo com tanta aspereza que o filho foi embora, certamente com seu pequeno coração partido. Ela nem imaginou o quanto havia sido rude com ele.

Quando foi se deitar, sua consciência começou a acusá-la. Como podia ter sido tão delicada e cortês com um estranho e tão indelicada com o próprio filho! Não conseguia conciliar o sono e levantou-se para tomar um copo com água. Seu coração ficou apertado quando viu, ao lado da porta, algumas flores e um bilhete do filho, com os seguintes dizeres: "Mamãe, estas flores são para você. Eu as encontrei no jardim e as colhi porque as achei tão bonitas como você!"

A mãe sentiu o coração apertado quando soube o motivo pelo qual o filho estava parado ao seu lado na hora em que ela o expulsou da cozinha. Com vergonha de si mesma, dirigiu-se ao quarto do garoto que dormia, ajoelhou-se ao lado da cama, passou a mão em seu rosto e falou com ternura: "Acorde filhinho, acorde. Estas são as flores que você pegou para mim?"

E o menino, um tanto sonolento, respondeu: "Sim, mamãe, eu mesmo as escolhi. A cor-de-rosa, a amarela e a azul. Eu sabia que você iria gostar, especialmente da azul. E eu fiquei quietinho ao seu lado para não estragar a surpresa, mas acabei assustando você. Mesmo sabendo que você não fez por mal, mamãe, não consegui conter as lágrimas que rolavam em meu rosto".

"Filho, eu sinto muito pela maneira como agi hoje. Eu não devia ter gritado com você daquela maneira".

"Ah mamãe, não tem problema, eu amo você!"

"Eu também o amo, filho. E adorei as flores, especialmente a azul".

Cenas como essa são muito comuns em nosso dia-a-dia. Tratamos os estranhos com tanta delicadeza que passamos por pessoas bem educadas. No entanto, dentro de casa, no trato com os familiares às vezes somos rudes e intolerantes.

Importante fazer uma análise de como temos nos comportado num e noutro caso, para que não nos enganemos sobre a nossa verdadeira situação moral. E, nesse caso, o que vale mesmo é o nosso comportamento dentro do lar. Essa é a nossa verdadeira identidade, pois a que usamos com os estranhos é apenas o verniz social do qual lançamos mão quando nos convém.

A família é abençoada e é escola de educação moral e espiritual. A família é oficina santificante onde se lapidam caracteres. A família é laboratório superior em que se elaboram sentimentos, estruturam aspirações, refinam ideais. É na família que começa a obra de fraternidade que se estenderá como fraternidade geral, junto à sociedade.

Bíblia diz: (Colossenses 3.13-14) Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós; acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição.

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