Reflexões Bíblicas
Mensagens ministradas no Programa Tempo de Festa
Rádio Popular FM e Rádio Água Viva On-Line

O Homem Triste


Você passou por mim com simpatia, mas quando viu meus olhos parados, você indagou em silêncio o "por quê" eu vagueio pelas ruas. Talvez por isso apressou o passo, e ainda que eu quisesse chamar, a palavra desfaleceu na boca.

É possível que você suponha que eu desisti do trabalho, no entanto ainda hoje bati de porta em porta em vão. Muitos disseram que ultrapassei a idade para ganhar o pão, como se o envelhecimento do corpo fosse uma condenação à inutilidade.

Outros, desconhecendo que vendi minha melhor roupa para aliviar a esposa enferma, me despediram apressados, crendo que fosse eu um vagabundo sem profissão.

Não sei se você notou quando o guarda me arrancou da frente da vitrine, a gritar palavras duras, como se eu fosse um malfeitor vulgar. Contudo, acredite, nem me passou pela mente a idéia de furto. Apenas admirava os bolos expostos, recordando os filhinhos a me abraçar com fome, quando retorno para casa.

Talvez você tenha observado as pessoas que me endereçavam gracejos, imaginando que eu fosse um bêbado, porque eu tremia, apoiado ao poste. Afastaram-se todos com manifesto desprezo, mas não tive coragem de explicar que não como qualquer alimentação há três dias.

A você, todavia, que me olhou sem medo, ouso rogar apoio e cooperação. Agradeço a dádiva que me ofereça em nome de Cristo que dizemos amar, e peço para que me restitua a esperança, a fim de que eu possa honrar com alegria o dom de viver. Para isso, basta que você se aproxime de mim sem receio, para que eu saiba apesar de todo o meu infortúnio que ainda sou seu irmão.

Essa é a mensagem de um homem triste, tal como tantos que vemos perambulando pelas ruas. É bem verdade que alguns são de fato pessoas que se comprazem na ociosidade. Todavia existem os desafortunados que apesar de trabalhar a vida toda, não puderam ajuntar moedas para o sustento próprio e da família, e que chegada à velhice, são condenados pela sociedade a viver como réprobos, embora sejam pessoas dignas.

Muitos de nós, no entanto, nos enfadamos com essas criaturas que enfeiam a sociedade. O que não nos damos conta é que além do peso da falta de comida, eles têm ainda que carregar sobres os ombros o peso da humilhação e do desprezo impostos por uma sociedade indiferente.

É verdade que todos nós estamos colhendo o que plantamos, e que aqueles que passam por essas situações precisam dessas experiências para crescerem espiritualmente. Entretanto, são nossos irmãos, nossos semelhantes, e merecedores sem dúvida, de no mínimo, do nosso respeito.

Se não os podemos ajudar, que não os atrapalhemos, jogando-lhes palavras amargas, nem menosprezando-os, dificultando ainda mais a sua caminhada.

Bíblia diz: (Salmos 17.5) O que escarnece do pobre insulta ao que o criou; o que se alegra da calamidade não ficará impune.

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